Como a indústria 4.0 vai transformar a manufatura?

Como será a mão de obra na era da Indústria 4.0 e da digitalização cada vez maior da manufatura? Descubra!

Como será a mão de obra na era da indústria 4.0 e da digitalização cada vez maior da manufatura?

Você consegue visualizar o chão de fábrica de uma indústria inteligente e conectada?

Contemplar o futuro pode ser um trabalho de adivinhação até certo ponto, mas está claro que o aumento das eficiências, as técnicas de redução de custos, a automatização e as experiências dos clientes são as prioridades mais importantes de uma empresa.

De acordo com o Grupo Aberdeen, as melhores empresas de suas categorias (as melhores 20% com base no desempenho) estão implementando a Internet das Coisas duas vezes mais rápido do que todas as outras empresas, a fim de fazer uma diferença significativa.

Os sistemas da internet das coisas podem coletar dados de fabricação de forma transparente, abrangente e interativa.

Eles proporcionam visibilidade em tempo real dos ativos e equipamentos, qualidade dos processos e recursos da fábrica.

É muito mais fácil visualizar todo o processo digitalmente.

Muitas pessoas entendem a ideia de como os dados podem produzir simulações de fábricas digitais, que preveem como se espera que um produto seja fabricado.

Menos entendida é a ideia de “fábrica virtual”, que é uma simulação em tempo real de como os produtos estão “realmente” sendo fabricados.

Uma fábrica virtual pode oferecer uma visão operacional em tempo real, adequada às funções de todo o chão de fábrica (incluindo instalações, processos e equipamentos etc.) para qualquer um, a qualquer hora, em qualquer lugar.

Esta fábrica virtual pode ser a “cabine” para pilotar e melhorar a fábrica.

Como a tecnologia vestível está impactando a manufatura

James Woodall, diretor-chefe de tecnologia da Intoware, empresa de desenvolvimento de software sediada no Reino Unido, entende o potencial da fábrica virtual e o poder transformador dos dados e da internet das coisas no espaço da empresa.

Desenvolvedor de firmware com experiência de trabalho com dispositivos vestíveis há quase 10 anos, ele trabalhou inicialmente no Golden-i, um fone de ouvido voltado para grandes indústrias, como de manufatura e saúde.

Woodall diz: “Havia pouca documentação quanto ao desenvolvimento de dispositivos vestíveis naquela época.

Isso significa que a minha equipe acabava fazendo muita pesquisa sobre dispositivos vestíveis e inventando muitos paradigmas de interface novos e diferentes.

Tenho cerca de seis patentes de dispositivos vestíveis em torno de softwares para dispositivos vestíveis.

Acabei falando com muitos clientes que estavam interessados em dispositivos vestíveis.

Os casos de usuários sobre os quais eles falaram incluíam trabalhadores recebendo instruções com as mãos livres e tendo comunicação com as mãos livres.

Por exemplo, se você é um trabalhador industrial de telecomunicações em uma torre de celular, a última coisa que você quer é segurar um tablet ou laptop.

Você quer estar com as mãos livres para fazer o seu trabalho.

Então, passamos muito tempo nos assegurando de que os dispositivos vestíveis tivessem um uso – até aquele momento eles eram um pouco mais forma do que função. Era uma tecnologia que tinha sido inventada, mas que poucos sabiam o que fazer com ela.”

A ideia de usar dispositivos vestíveis para receber instruções e se comunicar com as mãos livres é uma aplicação clara e prática da tecnologia.

Por exemplo, os trabalhadores em indústrias como de petróleo, gás e automotiva frequentemente recebem instruções complicadas e documentadas.

Com o uso de papel, é difícil saber se as instruções foram seguidas corretamente, porque não há trilha de auditoria.

O software que a empresa de Woodall, a Intoware, construiu – o WorkfloPlus – permite que os funcionários usem aplicativos em vários dispositivos (como vestíveis, smartphones e tablets) para fornecer informações suficientemente confiáveis, que mostram que um processo foi seguido corretamente.

Woodall diz: “Se disserem que um edifício foi inspecionado e eu estiver entregando um pedaço de papel com uma assinatura nele, você não sabe se ele realmente foi inspecionado, porque tudo que você tem é um pedaço de papel.

Isso pode ser um problema, porque há uma desconexão entre o que realmente aconteceu e o que um relatório diz.

Houve incidentes no passado, nos quais acidentes de trem ocorreram por causa de trilhos que não foram inspecionados.

Mas existe documentação que diz que eles foram.

O que fazemos é intelectualmente simples, mas bem complicado na prática.

Cuidamos para que quando as pessoas estejam inspecionando maquinário, que qualquer defeito seja indicado para a pessoa certa imediatamente.

Antes, alguém poderia ter uma prancheta e caneta, com os erros constatados atualizados através de uma planilha e uma pessoa relevante informada por e-mail.

Com o nosso software, as pessoas que precisam ser notificadas são informadas imediatamente, à medida em que a inspeção está sendo feita.”

Como a inovação pode beneficiar a empresa

O uso do WorkfloPlus por uma organização é um bom exemplo de como as companhias devem procurar uma visão equilibrada em todos os sentidos, com quatro pilares estratégicos para tornar suas empresas produtivas quando se trata de usar tecnologia: pessoas, hardware, software e conectividade.

Para fazer a transformação digital funcionar, as empresas precisam pensar sobre como a inovação vai beneficiar seus trabalhadores, encontrar um casamento que funcione entre hardware e software, e ter certeza que tudo está conectado para se fazer uso dos dados.

O WorkfloPlus é muito Indústria 4.0, no sentido de que as empresas podem usar dados para ter insights sobre um processo – por exemplo, elas podem ver se um processo que deveria levar uma hora está levando muito mais e deu errado.

Bots podem ser treinados para identificar onde podem estar as anomalias, sem a necessidade de seres humanos analisarem os dados.

Woodall falou com muitos executivos de alto escalão em várias indústrias e diz que o uso de tecnologia como o WorkfloPlus se resume a dois fatores: se ela pode reduzir os custos através de aumento da eficiência, ou se pode melhorar a saúde e a segurança.

Ele diz: “Temos um cliente que é um grande fabricante de peças automotivas.

Eles economizam tempo e aumentam a eficiência, porque sabem que um processo de inspeção de peças é seguido corretamente todas as vezes.

Estes benefícios são fáceis de calcular – sabemos que com o uso da nossa tecnologia, eles vão economizar certa quantidade de tempo todos os dias.

A saúde e a segurança dos trabalhadores também são importantes.

Durante as obras, os trabalhadores de construção frequentemente cobrem os alarmes de fumaça com fita, porque eles são ativados pela poeira, e, por engano, deixam os dispositivos ainda cobertos com a fita depois de terminarem o trabalho.

O nosso software ajuda do ponto de vista de segurança e conformidade, porque força o trabalhador da construção a passar por um processo no qual ele retira a fita dos alarmes de fumaça, deixando-os descobertos.”

Woodall descreveu como um software, como o Intoware, poderia ser integrado a um sistema moderno de ERP, como o sistema de gestão empresarial Enterprise Management da Sage:

“No setor de fabricação de alimentos, por exemplo, as inspeções precisam acontecer para garantir que tudo está em conformidade com as normas e que as regras de saúde e segurança estão sendo seguidas.

Esses dados de inspeção precisam chegar até o sistema de ERP.

Com um computador de mesa e papel, pode haver uma lacuna de ineficiência entre marcar uma lista de verificações de inspeção com uma prancheta e digitar as informações.

O problema é que os dados podem estar obsoletos ou incorretos.

Se passou meia hora entre a realização da inspeção e o seu processamento no sistema, muitas coisas acontecem – por exemplo, talvez o papel molhe, borre ou seja perdido.

Com o nosso WorkfloPlus, pode-se fazer a inspeção com dispositivo vestível, tablet ou smartphone.

O Enterprise Management pode fazer bom uso dessa funcionalidade em tempo real para os outros aplicativos empresariais.”

A importância da nuvem

Softwares que funcionam em dispositivos móveis e trabalham com dados, como o WorkfloPlus, mostram a importância da nuvem, que permite que o físico e o virtual se comuniquem mais próximos do que nunca.

Os sistemas fechados estão sendo substituídos por sistemas abertos que permitem a colaboração entre as várias disciplinas para a obtenção de resultados mais produtivos.

A nuvem sustenta a Indústria 4.0, permitindo a conectividade de dados em uma escala global, a movimentação de dados de servidores em instalações prediais para bancos de dados sediados na nuvem, que permitem que as organizações acessem seus dados a partir de qualquer lugar do mundo.

A nuvem libera as pessoas da necessidade de infraestrutura de apoio, com um modelo de custos baseado no uso.

Ao invés de simplesmente se prepararem para as tecnologias da nuvem, Woodall diz que os fabricantes deveriam estar efetivamente investigando e inovando com ela.

Muitos vendedores oferecem soluções que ainda são relativamente imaturas, e é uma tentação esperar os mercados amadurecerem.

No entanto, são os que primeiro adotam os novos sistemas que têm os primeiros benefícios e ganham vantagem na concorrência.

Quando se trata de Indústria 4.0 e inovação na nuvem, Woodall aconselha que você pense sobre:

Big Data e análise preditiva

Apanhando dados de várias fontes, os fabricantes podem analisá-los com grandes benefícios – por exemplo, prever defeitos com base em tendências históricas pode fazer uma diferença enorme quando se trata de limitar o tempo de inatividade não programada.

Com a análise preditiva, os fabricantes podem deixar de adotar uma manutenção periódica programada das máquinas, e passar a fazer manutenção programada automaticamente quando algo preocupante for detectado pelos sensores da internet das coisas.

Quanto mais dados analisados, mais inteligentes são as decisões.

Interoperabilidade

Isso descreve como cada aspecto de uma fábrica – pessoas, maquinários, dispositivos, sensores e hardware – estão conectados e se comunicam uns com os outros.

Mais uma vez, pense na Fábrica Virtual: uma cópia virtual em tempo real do ativo físico, sistema ou infraestrutura, criada através da coleta de dados de sensores em toda a entidade física.

Os sensores da internet das coisas permitem a interoperabilidade: obtendo os dados dos sensores e passando-os para a nuvem, o processamento desses dados é muito mais fácil de ser feito.

Assistência técnica

Os sistemas ciber-físicos podem realizar tarefas que são desagradáveis, inseguras ou fisicamente muito difíceis para os seres humanos executarem, ou podem coletar, agregar e exibir dados para corroborar na tomada de decisões e resolução de problemas.

Tomada de decisão descentralizada, aprendizagem automática e inteligência artificial

Com a nuvem e a Indústria 4.0, você pode dar aos sistemas ciber-físicos a habilidade e permissão para tomar decisões simples.

Máquinas que aprendem e tomam decisões (inteligência artificial) podem gerar tanto benefícios de eficiência, quanto produtos de melhor qualidade – resultando em maiores receitas.

A inteligência artificial e, mais especificamente, a aprendizagem automática podem navegar os conjuntos de dados que são grandes demais, rápidos demais e complexos demais para as máquinas analisarem e entenderem.

Ela pode tirar conclusões sobre os processos de fabricação que antes eram sutis demais para serem encontrados e, com a nuvem, você pode analisar máquinas em várias fábricas e países.

Capacitar máquinas com inteligência artificial também permite que elas aprendam e se adaptem a ambientes e demandas em constante mudança, sem a necessidade de interação humana, reduzindo o tempo de inatividade.

A Fábrica inteligente

Com um chão de fábrica conectado, custos são reduzidos por causa de menos desperdícios de material, menos pessoal e menores custos operacionais.

A Fábrica inteligente pode ser mais ágil, entregando uma produção rápida e de alta qualidade que responde às necessidades dos clientes, levando-lhes mais informações granulares e atualizadas.

Woodall diz: “Caminhar em direção à fábrica inteligente não significa necessariamente uma revisão completa com enorme investimento inicial.

Os sensores podem ser adaptados a maquinário antigo que já existe, portanto, escolha a partir da sua infraestrutura existente, investigue vendedores que oferecem soluções de internet das coisas adaptadas a equipamentos antigos e experimente-os.

É claro que você só vai colher todos os benefícios da Indústria 4.0, comprometendo-se com todos os seus elementos.

Não selecione uma tecnologia e trabalhe no sentido contrário de procurar um problema para resolver com ela.

Pense nos seus maiores problemas e áreas nas quais um bem-sucedido ponto de contato realmente faria a diferença, e depois disso, veja se a Inteligência Artificial, a Indústria 4.0, a Nuvem ou até mesmo outras tecnologias, como o blockchain, poderiam resolver os problemas.

Além disso, veja o que as outras empresas no seu setor estão fazendo com essas tecnologias para ajudá-lo a ter algumas ideias.”

Asavin Wattanajantra é escritor empresarial global da Sage, com uma década de experiência trabalhando com marcas de tecnologia no meio B2B.

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