Como insights inteligentes sobre dados de alimentos e bebidas oferecem uma vantagem valiosa

Com a redução forçada dos preços, os fabricantes de alimentos e bebidas têm vários desafios a superar, mas insights de dados analisados podem iluminar o caminho de quem investir em tecnologia.

Consumidores de chocolate no Reino Unido podem ter se sentido enganados nos últimos anos depois das revelações de que muitos de seus doces favoritos foram vítimas de um “encolhimento”, uma prática na qual os fabricantes de alimentos reduzem o peso dos produtos, sem diminuir o seu preço.

Nos últimos quatro anos, a BBC analisou 19 produtos das redes de supermercados das principais ruas do comércio e descobriu que 18 deles tiveram seu peso reduzido.

Uma barra da Snickers, por exemplo, diminuiu 28,1%, ao passo que foi de 25% a redução de um Toblerone, e a quantidade de biscoitos em um pacote de Jaffa Cakes diminuiu de 12 para 10.

Essas reduções de tamanho colocam em evidência um dos desafios que os fabricantes de alimentos e bebidas enfrentam – marcas como a Nestlé e Mondelez Internacional apontam para fatores como o custo dos ingredientes, regulamentos internacionais de saúde, taxas de câmbio e até mesmo fatores de distribuição, como acondicionamento e transporte, como sendo as causas desse “encolhimento”.

É uma época difícil para fabricantes de alimentos e bebidas, com redução forçada dos preços, margens de lucro extremamente pequenas e as pessoas gastando uma proporção menor de suas rendas em alimentos.

Você precisa fazer mais para ter menos e isto significa reavaliar como a sua empresa funciona e utilizar insights sobre dados de alimentos e bebidas para aproveitar novas oportunidades.

Portanto, quais são alguns dos maiores desafios do setor de alimentos e bebidas para as grandes empresas de hoje e como você pode enfrentá-los?

Com a redução forçada dos preços, os fabricantes de alimentos e bebidas têm vários desafios a superar.

Entendendo e lidando com a mudança de gosto dos clientes

Há alguns anos, o McDonald’s começou um enorme plano de reestruturação, depois de vários anos de queda do crescimento das vendas, com o diretor-presidente admitindo que eles não tinham acompanhado a evolução do gosto dos clientes.

Esta é uma área importante para todas as empresas de alimentos e bebidas, com os consumidores atualmente motivados a comprar e consumir produtos que consideram saudáveis e melhores para o meio ambiente.

Num mundo de mídia digital e social, as empresas de alimentos e bebidas precisam ser transparentes, sobretudo com um público de jovens adultos da geração Y, que espera autenticidade e honestidade.

No passado, os consumidores talvez confiavam nas marcas sem questionar, mas agora eles pensam mais sobre as verdadeiras histórias por trás dessas empresas.

É mais provável que a geração Y questione como são produzidos os alimentos e bebidas que consomem, quem os produziu, e como a empresa trata o meio ambiente e seus funcionários.

Com a percepção de marca, são as corporações gigantes de produção de alimentos e bebidas que podem estar em desvantagem – os fabricantes menores podem potencialmente falar com esses jovens adultos de forma mais autêntica e relevante.

Outra grande marca que recentemente perdeu a aprovação dessa geração foi a Budweiser, que saiu do ranking das três maiores cervejas dos EUA.

Uma marca tradicional, ela perdeu popularidade entre os consumidores, cedendo espaço para cervejas, vinhos e destilados mais novos, mais artesanais e da moda.

Para uma marca gigante como a Budweiser, isto não é algo fácil de se consertar.

Uma opção é diversificar – e é isso o que a sua empresa operacional AB InBev está fazendo.

Em 2017, ela anunciou um investimento de capital de USD 2 bilhões em quatro anos, que aumentará a capacidade de 12 cervejarias artesanais, expandiu a sua linha de cervejas sem álcool e promoveu agressivamente suas outras marcas como a Stella Artois.

Aconselha-se que os fabricantes de alimentos e bebidas criem uma relação próxima com a sua clientela, ficando de olho nas tendências e desejos da nova geração, visando descobrir formas criativas de atingir esse público.

Eles precisam ser rápidos, ágeis e inovadores, fazendo com que os produtos passem da fase de pesquisa e desenvolvimento para as prateleiras o mais rápido possível.

Um exemplo recente de um fabricante de alimentos que criou um novo produto que atende às mudanças na demanda dos clientes é a Mondelez International, que lançou o Oreo Thins, uma versão mais fina e mais leve do seu famoso biscoito.

Eles acabaram se tornando o quarto alimento e bebida mais popular de 2016, ganhando USD 110,2 milhões.

Janda Lukin, diretora sênior da Oreo na Mondelez International, disse que os biscoitos mais finos foram lançados na China para solucionar a queda súbita de vendas, gerando USD 40 milhões nos primeiros oito meses.

Ela observa que levou meses para que a companhia aperfeiçoasse a fabricação dos Thins – no início, 60% dos biscoitos quebravam, mas, depois de pesquisa e desenvolvimento, o índice caiu para 3%.

Considerar a mudança das necessidades alimentares é importante para os fabricantes de alimentos e bebidas

Entendendo as mudanças das necessidades alimentares

Os fabricantes de alimentos também precisam pensar sobre a mudança das necessidades alimentares.

Com 64% da população do mundo hoje efetivamente excluindo gêneros alimentícios da sua dieta, eles precisam personalizar seus produtos, permitindo que os comerciantes de varejo ofereçam opções mais pertinentes, que são adaptadas às necessidades do cliente.

Markus Stripf é o cofundador e diretor-presidente da Spoon Guru, uma companhia que trabalha com empresas como o Tesco no fornecimento de pesquisas de alimentos que são personalizados para as necessidades nutricionais do indivíduo.

Ele diz: “Nos tempos modernos, devemos conseguir atender às necessidades das pessoas, não importando se elas têm alergia a nozes, se seguem uma dieta vegana ou se simplesmente preferem opções mais saudáveis.

Precisamos facilitar para os consumidores as suas necessidades, gostos e preferências individuais específicas.

A boa notícia é que estamos vendo um fluxo de inovação, desde os fabricantes no espaço vegano [como o Beyond Burger e o Impossible Burger], até supermercados investindo pesado em inteligência artificial para ficarem melhores posicionados ao oferecerem atendimento altamente personalizado a seus clientes, acompanhando sua trajetória através de diversos canais.”

No entanto, Markus acredita que os varejistas que têm dificuldade com serviços de comércio eletrônico estão atrasando a inovação de alimentos, tornando mais lentos os ciclos de desenvolvimento.

Ele acrescenta:”Eles não têm capacidade avançada de mineração de dados para entender as preferências e gostos alimentares individuais dos clientes, quanto mais para usarem esse conhecimento para a prestação de serviços personalizados e direcionados.

Se eu compro somente alimentos vegetarianos na minha loja de varejo nos últimos 10 anos, por que eles ainda me oferecem um peru na época do Natal?

Como um cliente, isso me aborrece, e é um completo desperdício de recursos do ponto de vista de marketing.

A segmentação de clientes [até o segmento de um só], além da capacidade de inferir suas preferências, a partir de suas interações implícitas e explícitas com um comerciante de varejo através de múltiplos canais, são o futuro do comércio de varejo.

Eu só não sei quanto tempo vai levar para chegarmos lá.”

Insights sobre dados de alimentos e bebidas podem oferecer uma vantagem competitiva

Como insights sobre dados de alimentos e bebidas podem ajudar

Embora os comerciantes de varejo ainda tenham um longo caminho a percorrer, há muito o que os fabricantes de alimentos e bebidas já podem fazer por si só.

Graças à indústria 4.0, eles estão começando a entender que os enormes volumes de dados gerados a partir dos produtos e suas operações diárias podem ser transformados em insights – oferecendo uma vantagem competitiva através de informações acionáveis, ineficiência e incentivo à melhoria.

Os sistemas corporativos podem ajudar, gerenciando dados complexos e operacionais para fornecer a executivos e funcionários os meios de se conectarem com as operações táticas do dia a dia e as metas estratégicas – essencialmente digitalizando as operações e colhendo benefícios dos dados.

Empresas de sucesso fornecem ferramentas para transformar dados em evidências de valor prático, de acordo com Aberdeen:

Aqui a análise de dados pode prover aos executivos as informações de que necessitam para tomar as decisões certas, quando se trata da estratégia futura da empresa.

Aplicativos que resumem os dados de várias unidades empresariais podem ajudar as empresas de alimentos e bebidas a planejarem suas compras, produção e manutenção.

Garantindo qualidade e conformidade

As empresas de alimentos e bebidas precisam fazer malabarismos para lidar com as mudanças das demandas dos clientes e as pressões dos concorrentes, mas também devem se assegurar de que o básico seja feito da forma correta – como agir dentro da conformidade com os regulamentos atuais e futuros e evitar o recolhimento de produtos fora das normas, de acordo com o Grupo Aberdeen.

Em 2016, foi pedido que os fabricantes de alimentos e bebidas selecionassem as suas duas principais pressões:

Nos EUA, a Lei de Modernização da Segurança Alimentar de 2011 é uma exigência que requer que os fabricantes se concentrem em prevenir contaminações ao invés de apenas contê-las, o que fez com que as empresas mudassem a forma de projetar seus produtos alimentícios e materiais adquiridos.

Isto se soma à constante mudança dos padrões globais concebidos para melhorar a visibilidade da cadeia de suprimentos, ameaçando a falta de conformidade com multas.

No Reino Unido, há uma grande variedade de leis e regulamentos sobre produção, processamento, acondicionamento e rotulagem dos produtos alimentícios, muitos dos quais oriundos da União Europeia (UE).

Isto está em vigor há 30 anos, mas os fabricantes de alimentos deveriam saber que a Agência de Normas Alimentares do Reino Unido acredita que essas regulamentações não tê

m acompanhado o ritmo de mudanças na indústria de alimentos e não são suficientemente flexíveis para as necessidades sempre em transformação.

Problemas com a regulamentação do tipo “tamanho único para todos”

A Agência de Normas Alimentares diz: “A abordagem atual de ‘tamanho único para todos’ para regular as empresas de alimentos é inadequada para a natureza extremamente diversificada do setor.

Nos últimos anos, vemos muitos novos atores entrarem no cenário global de alimentos e segurança alimentar; por exemplo, os comerciantes de varejo online, os serviços de entrega de alimentos, auditores privados e programas de certificação de segurança alimentar independentes.

No entanto, a abordagem regulatória atual não nos permite facilmente concentrar nossos esforços nos riscos que estão sempre mudando.

Para o Reino Unido continuar a ser um ator forte e digno de crédito na economia mundial de alimentos, o regime regulamentar deve acompanhar as rápidas mudanças nessa economia.

Sair da UE vai alterar os padrões de produção de alimentos, comércio e consumo, ressaltando a necessidade de um sistema de regulamentação flexível e com agilidade de resposta.”

Aconselha-se que os fabricantes de alimentos e bebidas analisem a fundo a tecnologia que usam, e avaliem se ela está à altura da tarefa de dar suporte às novas melhores práticas em áreas como a rastreabilidade e qualidade do produto, apoiando a mudança de requisitos regulamentares, bem como fornecendo tecnologias, como a análise nas nuvens, para lidar com a mudança de gostos e necessidades dos consumidores.

Isto pode significar atualizar seus sistemas de ERP para permitir competências de tecnologia adicionais.

O gráfico abaixo mostra as melhorias que podem ser feitas, dando suporte a questões como margens apertadas, mudança das preferências do consumidor, aumento de regulamentos e cadeias de suprimentos complexas.

Torne-se um fabricante de alimentos e bebidas orientado por dados

A fabricação de alimentos e bebidas está se tornando cada vez mais complexa – e parece que um modo para as empresas não só sobreviverem, mas também prosperarem é tornando-se orientadas por dados.

Bons produtos e eficiência operacional sempre foram incrivelmente importantes, mas um diferencial crítico será aproveitar os dados para manter e ganhar vantagem sobre a concorrência.

A chave para o sucesso?

Abraçar a tecnologia e a inovação, adaptar as competências e transformar-se digitalmente para se tornar orientado por dados, inteligente e conectado.

Texto original redigido por Asavin Wattanajantra para o blog Sage Advice

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