Como as indústrias e médias empresas podem se beneficiar da convergência entre TI e TO

Estimativas internacionais apontam que mais de US$ 2,1 trilhões serão destinados anualmente a projetos nesse sentido.

Até alguns anos, muitas empresas tinham dúvidas se deveriam investir em TI e TO. Para 2019, tendências apontadas pelos principais analistas internacionais indicam que a convergência entre TI e TO já é uma realidade. O que as empresas buscam agora é como otimizar esses processos.

Trata-se de um segmento que deve movimentar altas quantias nos próximos três anos. Dados divulgados pela revista Forbes indicam que as companhias deverão investir cerca de US$ 2,1 trilhões anualmente até 2021 em melhorias de TI e TO. Esses números indicam um aporte financeiro que é praticamente o dobro do que se percebia em 2017, por exemplo.

A convergência entre TI e TO parece ser a grande questão a ser respondida: como fazer isso de forma eficiente e segura? Tradicionalmente, tecnologia da informação e tecnologia operacional eram setores que operavam em separado. Todavia, as transformações digitais recentes forçaram as empresas a integrar esses departamentos.

Pensar em estratégias para que essas tecnologias possam funcionar em sintonia é o primeiro passo para aqueles que quiserem crescer. Nesse artigo, levantaremos algumas hipóteses a serem consideradas sobre o tema, para que a sua empresa possa entrar em linha com aquilo que se espera de uma companhia moderna e tecnologicamente eficiente.

O desafio da integração

Uma indústria é um organismo vivo, composto por múltiplas partes que, em muitos momentos, parecem funcionar de forma autônoma, como pequenas empresas dentro da empresa. Há pessoas responsáveis por materiais, por compras, por vendas, por fabricação e por gestão. Embora todos precisem falar a mesma língua, nem sempre isso acontece na prática.

O setor de pesquisa e desenvolvimento, por exemplo, frequentemente tem interesses distintos do que o marketing. Da mesma forma, as áreas de tecnologia da informação e tecnologia operacional funcionam dessa maneira. Portanto, o desafio da vez é: como fazer com que essas duas áreas possam convergir, reduzindo custos, mas mantendo a qualidade da operação?

Essa dificuldade em integração se dá essencialmente pelos interesses distintos que as duas áreas têm. Enquanto a TI pensa na privacidade dos dados e na segurança da informação como elementos prioritários, a TO manterá o seu foco na redução do tempo dispendido nas tarefas e em formas de tornar os processos mais eficientes.

A transformação digital pela qual as empresas estão passando, força esses dois segmentos a se alinharem, utilizando as mesmas bases de dados. Portanto, é natural que conflitos aconteçam. Muitos profissionais envolvidos temem que as mudanças sejam para pior – e com razão. Contudo, encontrar denominadores comuns parece ser o aspecto-chave para o sucesso.

Os benefícios da convergência entre TI e TO

Se sob o ponto de vista tecnológico a convergência é inevitável, o que a sua empresa precisa fazer é manter o foco nos benefícios que um processo bem conduzido pode trazer para o seu negócio. Lembre-se de uma regra: de nada adianta implantar a tecnologia apenas por implantar, como se essa fosse uma exigência do mercado. É preciso que a implantação faça sentido dentro do seu negócio.

As oportunidades dessa integração são inúmeras. A convergência traz claridade e transparência para os projetos, e pode até mesmo ajudar a redefinir papeis em algumas áreas. Tome como exemplo as bases de dados utilizadas. Não há razão para manter duas bases separadas uma da outra, com dados que não “conversam”. A base de dados pode – e deve – ser exatamente a mesma.

O que muda é forma como os colaboradores vão se relacionar com esses dados. As perguntas que um setor fará são diferentes das que a outra área questionará. Por essa razão, tanto a TI quanto a TO precisam compreender quais são as características de cada uma das áreas, evitando assim que haja duplicidade de tarefas e, consequentemente, ocorra uma otimização da rotina.

O compartilhamento de dados entre as duas áreas em tempo real certamente facilitará a vida dos gestores e ajudará para que eles tomem decisões mais assertivas e com maior embasamento. Como consequência disso, espera-se atingir melhores resultados, com maior produtividade e redução de custos operacionais.

A cultura empresarial é a chave do sucesso para a integração

A partir do momento em que você tem dois times separados e com objetivos diferentes, é natural que incialmente eles se vejam em campos opostos. Em muitas empresas, os processos de integração não são conduzidos de forma satisfatória justamente pelo fato de que um grupo rejeita o outro, apenas pelo fato de não haver um estímulo na cultura empresarial que potencialize a sintonia entre eles.

Assim, investir em integração e tecnologia é um processo que precisa de um terreno relativamente preparado para dar bons frutos. Em outras palavras, é preciso se voltar primeiro para a cultura da sua empresa. Sua companhia ainda opera em “silos”, com setores conversando pouco entre si – ou frequentemente até mesmo competindo por recursos? Talvez seja preciso rever alguns conceitos antes de iniciar a integração.

Trata-se de um trabalho que deve ser levado a cabo por gestores e líderes de forma a conduzir os colaboradores a adotarem um comportamento colaborativo. Grande parte das organizações que são bem-sucedidas nesse processo, por exemplo, designam uma pessoa específica para cuidar desses questões, uma espécie de CDTO (Chief Digital Transformation Officer).

Talvez você ache que a criação de um cargo como esse é um certo exagero, mas muitas companhias superestimam a capacidade que elas têm de resolver problemas com a estrutura operacional que já possuem. Muitas vezes, esses desafios são inéditos e não há pessoas completamente preparadas na empresa para conduzir essas mudanças. É natural, portanto, que você precise recorrer a novos profissionais.

Para os líderes, fica o conselho de que eles nunca devem perder de vista o cenário macro de uma empresa. Embora lidem com problemas específicos, as respostas para as perguntas devem conduzir para uma situação em que, na soma dos resultados, a empresa como um todo possa sair ganhando – e não apenas um setor.

Será que a sua companhia está preparada para começar essa transição?

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