O futuro da indústria automotiva e o que ela significa para o seu negócio

Neste artigo, vamos mergulhar em como CFOs e CEOs podem construir estratégias para ganhar em um mercado automotivo resistente e competitivo.

A indústria automotiva é conhecida por impulsionar a inovação, com os veículos atuais muitas vezes representando o que há de mais moderno em termos de tecnologia nas mãos dos consumidores. De fato, o desempenho parece estar forte, com a Statista prevendo vendas globais de automóveis de passageiros atingindo a marca de 77,7 milhões em 2017.

Porém, sob a superfície, a indústria automotiva tem alguns grandes desafios para enfrentar agora e nos próximos anos. Não é apenas uma questão de continuar mantendo a inovação e a tecnologia – globalização, regulação e meio ambiente também são tópicos que manterão os CFOs e os CIOs das indústrias automotivas acordados à noite. Vamos mergulhar em algumas dessas áreas, oferecendo conselhos com relação à construção de estratégias para vencer em um mercado tão difícil e competitivo.

Globalização e os mercados emergentes

Por conta da globalização, as empresas de todo o mundo têm hoje uma quantidade sem precedente de concorrentes, com empresas emergentes competindo com multinacionais gigantes nas fronteiras internacionais e em múltiplos mercados. Desafiantes como a Tesla estão rompendo barreiras na indústria, e têm potencial de se tornarem líderes globais.

Globalmente, há um esfriamento na demanda automotiva, mas ainda há muito potencial de crescimento nos mercados emergentes. De acordo com a PwC, mercados em crescimento como a China, a Índia, o Sudeste Asiático e o Norte da África são o principal motor de crescimento da indústria mundial, conduzido um aumento de 18,8 milhões no volume de montagem de veículos entre 2016 e 2023.

Muitas empresas ainda não estão prontas para tirar o máximo de vantagem, com o Boston Consultig Group afirmando que há um desalinhamento geográfico entre suas produções de veículos e as vendas globais. Eles afirmam que os fornecedores precisam localizar a sua produção nos locais para os quais a produção de carros está se movendo – ou, colocando em termos mais simples, eles devem expandir nos mercados emergentes.

O BCG falou com executivos que acreditam que a expansão em mercados emergentes requer:

  • Uma estratégia coerente a longo prazo em vez de decisões oportunistas individualizadas
  • Capacidades necessárias construídas passo a passo em vez de um esforço único
  • Decisões sobre quais casos requerem investimentos proativos para garantir novos negócios
  • A consideração de alianças com fabricantes e distribuidoras locais

Os efeitos da regulamentação

Qualquer tipo de regulamentação vai afetar diretamente a maneira como os veículos se parecem e a forma como os componentes são construídos, além de afetar os custos de produção e a forma como eles são vendidos. As mudanças nas regulamentações podem forçar a indústria automotiva a fazer mudanças com seus fornecedores e a fabricar veículos em prazos menores.

Existem grandes mudanças globais que podem exigir que as empresas automotivas se movam rapidamente. Por exemplo, nos Estados Unidos há a renegociação do NAFTA, o Tratado de Livre Comércio da América do Norte, que pode limitar o acesso ao mercado do México. No Reino Unido temos o Brexit, o que pode envolver taxas de impostos mais elevadas para as peças de veículos e para os veículos que entram e saem do país.

Em uma postagem no blog, Taneli Ruda, Vice-Presidente Sênior e Diretor Geral da Thomson Reuters Onesource Global Trade, disse: “O problema aqui é que a regulamentação pode mudar de um dia para o outro e, muitas vezes, em muitos países. Para as cadeias de suprimentos, onde você tem grandes quantidades de fabricação e centenas de fornecedores ligados ao design de modelos automotivos individuais, é muito difícil para as montadoras e os seus fornecedores reagirem tão rapidamente quanto os reguladores podem mudar os regulamentos”.

Brian Peccarelli, Presidente de Fiscalização e Contabilidade da Thomson Reuters, recomenda às empresas para que:

  • Construam cadeias de suprimentos dispersas, que espalhem a produção e a capacidade entre vários fornecedores
  • A produção diversa pode ajudar as empresas automobilísticas a evitarem choques de oferta baseados na localização e a continuarem a atender os mercados regionais, apesar das mudanças na dinâmica comercial

Ele diz: “Esses movimentos são essenciais agora para colocar à prova os fabricantes para um futuro com amplas mudanças na política comercial global e, consequentemente, conjuntos de regras dramaticamente diferentes para o gerenciamento de cadeias de suprimentos globais”.

Fatores ambientais

Em grande parte do mundo, os governos promulgam leis para reduzir as emissões de carbono devido à ameaça das mudanças climáticas. Muito trabalho já foi feito com as tecnologias convencionais para reduzir as emissões, mas pode ser o caso de a inovação e o investimento em tecnologias de carros elétricos se tornarem mais necessários. As empresas de alto nível, como a Tesla, estão regularmente nas manchetes, mas existem muitas outras empresas nesse cenário, como a Pod Point, que é especializada em carregadores de veículos elétricos para casas, escritórios e empresas.

Erik Fairbairn, CEO da Pod Point, diz: “A indústria de veículos elétricos é um lugar incrivelmente excitante para trabalhar e um onde o Reino Unido está bem posicionado para se tornar um dos líderes globais, criando novos produtos, serviços e oportunidades de carreira. O apoio contínuo do governo pode realmente ajudar a aumentar o impulso para um setor em rápido crescimento”.

Os líderes empresariais automotivos certamente serão desafiados a investir em tecnologias ambientalmente amigáveis, o que os ajudará a atingir os futuros objetivos de emissões. Eles deveriam pensar sobre:

  • Construir alianças com companhias e fornecedores para impulsionar a inovação
  • Se envolver com empresas que fazem parte da economia compartilhada para proporcionar maior conscientização dos consumidores acerca dos veículos elétricos

O carro conectado

Além dos carros elétricos, o “carro conectado” é também um desafio para as empresas automotivas, antigas e novas. Graças à nuvem, o carro conectado agora pode atuar como um hub de comunicação, podendo transmitir e receber dados. Ele oferece um enorme potencial – é o que torna possível a condução autônoma, enquanto a transferência de dados permite conectar o carro ao mundo exterior e melhorar a experiência do motorista.

Muitos dos carros de hoje embalados com tecnologia geralmente se concentram em funções internas. No entanto, é cada vez mais comum que os veículos ofereçam conexão com a internet, para que possam fornecer dados a sensores externos. Isso pode criar benefícios importantes para os motoristas, como custos de seguro mais baixos e redução de congestionamentos e de acidentes.

Para os líderes empresariais dos fabricantes e fornecedores de equipamentos originais, é crucial desenvolver uma estratégia que considere o crescimento de popularidade dos carros conectados. Por exemplo, eles podem:

  • Pense em oferecer tecnologias conectadas ou fazer investimentos em empresas de tecnologia que estão trabalhando no espaço.
  • Investir e obter acesso a provedores de internet e soluções que possam servir de proteção contra futuras ameaças competitivas.
  • Considere aumentar as habilidades da sua força de trabalho, trazendo experts que se especializem em áreas como tecnologias conectadas, big data e a nuvem.

Tomando as decisões corretas com relação aos gastos

Quando se trata de tecnologia, Brian Peccareli diz: “Nós estamos vivendo em um mundo onde fabricantes de equipamentos originais, empresas de tecnologia e fornecedores terceirizados estão lutando pelo controle do ponto central dos automóveis, que se tornou uma característica mais desejada para muitos consumidores até mesmo do que o motor. Mas os fabricantes não podem se dar ao luxo de se distrair com a última coisa brilhante e reluzente”.

“Em vez disso, eles precisam se concentrar naquilo em que eles são melhores – integrar tecnologias em um sistema complexo, independentemente de essas tecnologias terem sido desenvolvidas internamente ou obtidas a partir e terceiros”, ele completa.

Peccarelli acredita que os departamentos de finanças desempenham um papel-chave na aplicação da disciplina, permitindo que os altos executivos e os departamentos de pesquisas assegurem que a inovação seja aproveitada no negócio o máximo possível.

Ele diz que CFOs:

  • Precisam dos dados certos – informações abrangentes de toda a empresa que captem não apenas os dados de perdas e lucros de alto nível, mas também informações regionais, incluindo mudanças nas políticas de regulamentação locais e exposições fiscais.
  • Devem acompanhar e prever os efeitos de tais coisas como as mudanças das consequências regulatórias e tributárias de incorporar a nova conectividade sem fio aos carros.

Lidar com a globalização, com a regulamentação e com a tecnologia pode fazer ou quebrar uma companhia automotiva, e é por isso que é tão importante para os departamentos de finanças se assegurar que as decisões estejam corretas quando se trata de alocar os recursos de financiamento. Os CFOs tomarão decisões sérias e dados são importantes – quer estejam olhando dados de vendas de diversos países ou business intelligence para fazer planos sobre o que pesquisar, desenvolver ou adquirir.

Texto original redigido por Asavi Wattanajantra para o blog Sage Advice

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