Gestão de estoque: supermercados desperdiçam 2,28% do faturamento

Em números absolutos, valor representou R$ 7,1 bilhões em 2016, segundo levantamento da Abras. Veja o que você pode fazer para evitar erros relacionados a desperdício!

De 2015 para 2016, houve aumento das perdas registradas pelos supermercados em relação ao faturamento líquido, conforme indica levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Em 2015, de cada R$ 100 recebidos pelos estabelecimentos, R$ 2,26 eram desperdiçados; em 2016, o valor atingiu R$ 2,28. As falhas na gestão de estoque dos supermercados estão entre as principais responsáveis pelo desperdício.

Embora possa parecer pouco, se levarmos em conta os números absolutos, as perdas totais chegaram a R$ 7,1 bilhões em 2016, frente aos R$ 6,19 bilhões contabilizados no ano anterior. De acordo com a Abras, a maior parte dos estabelecimentos investe em ferramentas para reduzir esse volume, algo que se torna ainda mais importante em momentos de crise, no qual as empresas buscam meios de reduzir custos.

Mais de 60% das empresas questionadas estão fazendo investimentos para melhorar a performance do setor. Em geral, criam-se setores focados na prevenção de perdas. Além disso, 42% das empresas que investiram na área reportam diretamente ao presidente, indicando um sinal estratégico da função.

Os fatores que levam a perdas como essas

A função se torna ainda mais importante ao se observar os principais fatores que levam às perdas. Entre os muitos motivos apontados, a quebra operacional e os furtos externos estão entre os mais citados. Porém, erros de inventário e administrativos respondem por pelo menos 24% dos problemas.

Outros problemas mencionados são furtos internos e falhas de fornecedores. Portanto, mais de 50% das falhas são relacionadas a erros cometidos na gestão do estoque e poderiam ser evitadas com uma melhoria de processos e uso de tecnologias adequadas. Veja um resumo dos problemas mais citados:

  • Quebra operacional (29%)
  • Furto externo (18%)
  • Erros de inventário (15%)
  • Erros administrativos (9%)

Os resultados atingidos na gestão de armazéns – WMS, na sigla em inglês – servem de exemplo para que os supermercados podem fazer. O uso de dados e o desenvolvimento de uma cultura de analytics podem fazer com as companhias se organizem melhor, facilitando a tomada de decisões e o acompanhamento por meio de dashboards.

Alguns setores merecem uma atenção especial por parte do supermercadista. Em geral, as áreas com itens perecíveis, como de frutas, legumes e verduras, são o principal vilão das perdas, representando 6,09% do total. Em seguida, aparecem áreas como padaria/confeitaria (4,7%), rotisseria (3,99%), peixaria (3,26%) e carnes (3,07%).

Erros de gestão que podem ser evitados

Entre todos os erros de gestão que um supermercado pode cometer, praticamente todos aqueles relacionados ao estoque podem ser evitados ou minimizados. Essa desorganização tem origem muitas vezes na falta de controle das mercadorias. O acúmulo de problemas, por menores que eles sejam, levam por consequência à perda em faturamento. Aqui estão alguns erros que você pode evitar:

Não fazer inventários periódicos: com uma certa frequência é preciso fazer uma contagem dos itens que ainda restam nas gôndolas e no estoque. Esse número deve ser adicionado ao sistema para que os responsáveis pelas compras possam definir se as quantidades estão corretas ou se há a necessidade de se fazer adequações.

Setores de compra e estoque não integrados: esses dois setores são fundamentais no seu negócio. Porém, a pergunta a ser respondida é: eles conversam entre si? Todos os fluxos de entrada e saída de mercadorias precisam ser registrados e um precisa ter ciência do que o outro está fazendo. Portanto, aposte em ferramentas de controle de estoque integradas.

Não trabalhar a relação com fornecedores: quanto mais fortes são as parcerias que o seu supermercado tem, maiores são as chances de você conseguir preços melhores ou condições de pagamento diferenciadas. Dessa forma, converse com os seus principais fornecedores e exponha as suas necessidades. Muitas vezes é possível compor negociações mais interessantes para todas as partes graças a contratos de longa duração.

Cadastros genéricos e pouco informativos: por fim, existem aqueles supermercados que até fazem o cadastro dos seus produtos, mas não com as informações suficientes. Por exemplo, é preciso saber se uma determinada marca de açúcar vende mais em pacotes de 1 kg ou de 5 kg e não apenas indicar quanto de açúcar foi vendido. Além disso, produtos com outras variações – light, diet, sem glúten – devem também ter os seus cadastros feitos à parte, pois isso vai ajudar você a ter um diagnóstico mais preciso.

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