Mitos e verdades sobre a inclusão de portadores de necessidades especiais no mercado de trabalho

Para cumprir a legislação, muitas empresas precisam se desdobrar para encontrar bons colaboradores e portadores de necessidades especiais são uma excelente aposta.

A legislação brasileira prevê que as empresas, depois de atingirem um certo número de funcionários, devem reservar cotas de vagas para a inclusão de portadores de necessidades especiais. Contudo, em muitos casos, as companhias têm dificuldades para encontrar bons profissionais ou para integrá-los completamente em sua rotina de trabalho.

Em um mundo em que cada item, por menor que seja, pesa como diferencial competitivo, “abrir mão” de uma alta produtividade em prol de um funcionário que talvez não tenhas as mesmas qualificações técnicas pode ser algo ruim para a empresa.

É importante deixar claro, porém, que isso não tem relação alguma com a deficiência, mas sim com o número menor de pessoas disponíveis para uma mesma vaga. É por conta disso que o profissional portador de deficiência deve receber uma atenção diferenciada, a fim de que ele possa se engajar o mais rapidamente possível ao dia a dia de trabalho da sua companhia. Porém, ainda assim, em muitas cidades o cenário pode ser muito mais complexo.

1. Falta mão-de-obra e treinamento

Quanto maior for a empresa, maior pode ser a dificuldade para encontrar a mão-de-obra necessária. Segundo a legislação, empresas com mais de mil funcionários precisam ter pelo menos 5% do seu quadro de colaboradores composto por pessoas portadoras de necessidades especiais. Estima-se hoje que menos de 8% das empresas brasileiras cumpram essa meta. Por outro lado, há 45 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, sendo que 66% delas são economicamente ativas. Ou seja: falta divulgação para as vagas e um trabalho mais incisivo na busca por pessoas com esse perfil. E falta, também, mão-de-obra qualificada bem como disposição das empresas para treinamento.

2. Falta de qualificação não pode ser desculpa

Uma a cada quatro pessoas com necessidades especiais tem ensino médio completo e 7% delas têm ensino superior completo. Muitas empresas, infelizmente, presumem que essas pessoas não possuem a qualificação necessária para assumir certos cargos, o que está longe de ser verdade. Pense, por exemplo, que muitos adquirem deficiências já na vida adulta, depois de formados. Esse pré-conceito faz com que muitas das vagas oferecidas a esse público sejam meramente para cumprir tabela. Ou seja, posições com salários baixos, sem funções ou tarefas definidas. Isso faz com que haja uma desmotivação natural por parte dos funcionários, resultando em altos índices de turn over.

3. Benefícios não são tão recompensadores assim

Há quem diga que “boa parte dos portadores de necessidades especiais” prefere não trabalhark pois já têm alguns benefícios financeiros assegurados por lei. Isso está longe de ser verdade, na maioria dos casos. As razões para derrubar essa tese são muito simples. Primeiro: apenas 3,2% dos portadores de necessidades especiais recebe algum tipo de auxílio financeiro por conta da sua condição. Além disso, conseguir um benefício como esse não é uma tarefa simples e pode levar anos até que toda a burocracia seja vencida. Por fim, o valor concedido pelo governo é muito baixo o que faz com que seja necessário procurar um complemento de renda.

4. Menos dificuldade e mais integração

Outro argumento bastante ouvido em algumas empresas é o de que “custa caro” preparar uma empresa para receber portadores de necessidades especiais. Contudo, o dinheiro que não é gasto nessa finalidade acaba sendo perdido com a falta de integração desses contratados ao dia a dia da empresa. É papel dos gestores e dos departamentos de recursos humanos fazer com que esses trabalhadores se sintam mais à vontade. Eles precisam ser tratados como iguais, mas a acessibilidade é um item que precisa ser levado em consideração. Eles já têm muitos obstáculos em suas vidas e o local de trabalho não precisa ser mais um.

Um ótimo exemplo são grandes feiras e eventos, que possuem geralmente em seu corpo de staff vários portadores de necessidades especiais para auxiliar na organização do evento e também para tirar dúvidas de pessoas. Isso porque eles trabalham muito com empatia e se preocupam muito mais com o público.

5. Os portadores de deficiência são também os seus clientes

Você se lembra do dado que mencionamos no item acima? Cerca de 25% da população brasileira possui algum tipo de deficiência – o que significa que muito provavelmente 25% dos seus clientes também têm. Se enquanto empresa você não inclui portadores de necessidades especiais no seu quadro de funcionários, por que os seus clientes vão achar que você pensa neles quando desenvolve um produto? Hoje, existem multas altas para as empresas que não conseguem cumprir a cota. Porém, como não há fiscalização, na prática é como se a lei não existisse. Portanto, que tal começar a se preparar para ser mais inclusivo e facilitar a integração desse público em sua companhia? Sua empresa e a sociedade só têm a ganhar com isso.

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