Setor de manufatura brasileiro está entrando de cabeça na era da indústria 4.0

Estimativa da Confederação Nacional das Indústrias é que quase a metade das grandes empresas devem fazer investimentos nesse setor em 2018.

O ano de 2018 pode ser considerado o da consolidação da indústria 4.0 brasileira. Pelo menos é isso que mostra uma pesquisa promovida pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e divulgada no início do mês passado.

De acordo com o estudo, nos últimos dois anos os investimentos em tecnologias digitais aumento pelo menos 10% entre as grandes indústrias pesquisadas. De uma lista de 13 tecnologias avaliadas, nada menos do que 73% das entrevistadas declararam usar ao menos uma delas.

Investimentos em Indústria 4.0

A pesquisa realizada pela CNI conversou com um total de 632 empresas. Pelo menos 48% dos entrevistados declararam a intenção de fazer investimentos nesse segmento ainda em 2018. Outros 32%, no entanto, não estão prevendo ações como essas no orçamento desse ano e 20% das empresas não soube responder. Vale observar ainda que entre as empresas que vão investir em ferramentas da indústria 4.0, 96% delas já utilizam alguma ferramenta digital.

“Esse cenário demonstra que as empresas ainda estão em estágio inicial da migração para a digitalização. Essa decisão sugere que as empresas ainda estão em fase de implantação das tecnologias. Será um processo gradual, mas os dados já demonstram uma evolução na indústria brasileira”, afirma Renato da Fonseca, gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI.

Em quais áreas serão concentrados os investimentos?

A pesquisa quis saber ainda para quais áreas as empresas pretendem direcionar os seus investimentos. A grande maioria, 90%, indicou que esses recursos serão aplicados em melhorias nos processos de produção e na gestão dos negócios. Já para 58% o foco está em melhorias no desenvolvimento do produto enquanto 33% pensam em novos modelos de negócio.

Comparando-se a pesquisa deste ano com à realizada em 2016, podemos perceber ainda algumas tendências. A automação digital com o uso de sensores para controle de processos chegou a 48% das empresas entrevistadas – eram 40% e 2016. Na segunda posição em popularidade aparecem os sistemas integrados de engenharia para desenvolvimento e manufatura de produtos, com 37%. A automação digital sem sensores vem em seguida com 30%.

Apesar da presença menor, tecnologias mais sofisticadas também começam a entrar na pauta das indústrias brasileiras. Ao menos 17% das companhias entrevistadas pretendem investir em sistemas inteligentes de gestão ou em inteligência artificial. Big Data e tecnologias relacionadas a serviços na nuvem também terão boa presença.

“É um caminho natural. As empresas primeiro experimentam, observam resultados e, aos poucos, tendem a sofisticar os investimentos. O que devemos chamar a atenção é que o Brasil não tem muito tempo para fazer essa transição. É preciso rapidez nesse processo”, destaca Renato da Fonseca.

Os percentuais poderiam ser ainda maiores se as condições econômicas do país estivessem mais estáveis. Boa parte das entrevistadas que declarou que não fará investimentos esse ano destacou que a falta de recursos financeiros é um dos empecilhos. A ausência (ou o excesso) de regulação e a burocracia também são fatores vistos como negativos.

Entre os pontos positivos, ou seja, os fatores de estímulo, os destaques são a tecnologia, a mão de obra e a matéria-prima. Trata-se ainda, portanto, de um processo em desenvolvimento, mas com bons indicativos de que essa será mesmo uma tendência inevitável para os próximos anos. Aqueles que tiverem melhores condições ou uma visão de longo prazo nesse momento, certamente colherão os frutos perante os concorrentes nos primeiros sinais de recuperação da economia.

Você pode conferira aqui a pesquisa Investimento em Indústria 4.0 na íntegra.

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