Indústria 4.0: construindo uma empresa digital

A Indústria 4.0 reformulará os ecossistemas de manufatura impulsionados por melhorias internas e trabalhando mais de perto nas cadeias de valor. Como você pode aproveitar ao máximo a próxima Revolução Industrial para sua empresa?

Uma Revolução Industrial é um evento enorme e significativo, e muitos observadores acreditam que tivemos quatro deles. O primeiro foi iniciado com a introdução do motor a vapor comercial e o nascimento da indústria têxtil. Eletricidade e produção em massa provocaram o segundo. E o terceiro foi acionado pelo computador após a Segunda Guerra Mundial.

O professor Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, acredita que estamos bem encaminhados com a quarta revolução industrial, ou indústria 4.0. Ela se refere às grandes inovações em tecnologia que estão chegando à maturidade ao mesmo tempo, incorporadas por empresas de todo o mundo, integrando os mundos virtual e físico para criar formas poderosas de trabalho. Exemplos dessa tecnologia incluem:

1. Internet das Coisas

A fusão de objetos físicos, como softwares, sensores e itens eletrônicos com a internet e a coleta e a transferência de dados habilitadas por máquinas. A IoT permite comunicação em tempo real, iniciando sistemas físicos e dando origem a “cidades inteligentes”. Isso significa que as cadeias de suprimento tradicionais podem se tornar mais digitalizadas e conectadas – tornando-se ecossistemas completamente integrados e que são totalmente transparentes para os departamentos contribuintes de marketing, desenvolvimento de produtos, fabricação e distribuição.

2. Big Data e análise avançada

Com a Internet das Coisas, uma enorme quantidade de dados e as formas como as empresas os leem e os analisam são cruciais, especialmente se envolverem eventos críticos, como a falta de energia ou a tentativa de violação de dados. Na manufatura, a disponibilidade de dados de desenvolvimento, produção e testes de produtos, por exemplo, pode adicionar novas dimensões à manufatura, permitindo inovação, marketing e tomada de decisão direcionados.

3. Robótica e automação

Os robôs já são usados extensivamente no mundo da manufatura – por exemplo, braços mecânicos em linhas de montagem. A próxima Revolução Industrial pode ver a contribuição de robôs aumentando de forma expressiva, e com as “fábricas inteligentes” poderemos ver esses robôs se apropriando da manufatura e desenvolvendo produtos para os clientes sozinhos, graças aos sistemas de computação e comunicação ligados a sistemas físicos.

4. Simulações, impressões 3D e realidade aumentada

Já é comum hoje em dia que produtos possam ser virtualmente modelados e testados, economizando tempo e reduzindo os materiais, os esforços e os custos. Por meio da impressão 3D podemos ver a criação de objetos personalizados, complexos e leves em velocidades incríveis, enquanto a realidade aumentada vê um futuro em que os funcionários podem ser treinados no trabalho com muito mais eficiência do que com papel ou monitores.

Alguns anos atrás, líderes empresariais de setores como o de manufatura podem ter considerado a indústria 4.0 como o mais recente termo da tecnologia, mas pesquisas da PwC mostram que muitos líderes já estão descartando investimentos.

A PwC afirma que a indústria 4.0 irá revolucionar a produção industrial, com os negócios gerando, em média, redução de custos de 3.6% ao ano até 2021, impulsionados por melhorias internas e trabalhando mais perto das cadeias de valor. Eles também esperam obter 2,9% ao ano no aumento das receitas por meio da digitalização de produtos e serviços bem como o desenvolvimento de novas ofertas de serviços digitais. 33% das indústrias dizem que já alcançaram níveis avançados de digitalização, enquanto 72% das empresas esperam atingir níveis avançados de digitalização até 2020.

5. A indústria 4.0 vai reformular os ecossistemas de manufatura

O valor que as empresas obtêm das novas tecnologias poderia (ou deveria) ser capaz de exceder as economias de custo de um único dígito. Um relatório do Boston Consulting Group sugeriu que, embora os fabricantes americanos tenham reconhecido o valor da indústria 4.0, eles estão abordando essa oportunidade de maneira fragmentada e por conta disso podem perder benefícios significativos para o negócio. O BCG disse que para ter sucesso, as empresas devem estabelecer metas ambiciosas e capturar valores rapidamente, em uma transformação ao longo de muitos anos.

Justin Rose, um dos sócios do BCG Group e coautor do relatório disse: “A indústria 4.0 se destaca como um meio de gerar ganhos significativos de produtividade. O valor real é alcançado quando os fabricantes maximizam o impacto desses avanços combinando-os em um programa abrangente”.

Vlad Lukic, parceiro do BCG e coautor do relatório disse: “Nossas descobertas apontam para a necessidade de os fabricantes norte-americanos obterem um entendimento mais profundo de como podem aplicar a Indústria 4.0 e acelerar o ritmo de adoção. Os vencedores vão abordar a corrida para a Indústria 4.0 como uma série de sprints e, ainda, assim, gerenciar o seu programa como uma maratona”.

A indústria 4.0 também terá um papel importante a desempenhar do outro lado do oceano, de acordo com relatório independente britânico Made Smarter Review, conduzido pelo professor Juergen Maier, CEO da Siemens UK. Segundo ele, em dez anos a digitalização industrial poderia impulsionar a manufatura britânica em US$ 455 bilhões, aumentando o crescimento do setor em 3% e criando um ganho líquido de 175 mil empregos. E, recentemente, a Confederation of Business Industry fez um apelo para os líderes empresariais para que se unam em prol de uma estratégia industrial de “salto” para vencer na Indústria 4.0. Novamente, a mensagem era de que as organizações precisavam acordar rapidamente e tomar decisões rápidas com relação a como planejam se adaptar.

Dean McGlone, Diretor de Vendas e Automação de Finanças na empresa V1, disse: “Vimos organizações adotarem nossa tecnologia para automatizar processos financeiros em seu departamento financeiro e, de fato, em toda a organização. Isso está mudando a cara da equipe financeira? Absolutamente”.

Ele continua: “Mas a realidade é que ela está removendo tarefas mundanas e que podem efetivamente serem otimizadas pela tecnologia de ponta impulsionando ganhos de produtividade. Essas economias de tempo podem liberar a equipe para se concentrar em funções estratégicas de maior valor – como garantir que a equipe de finanças forneça insights baseados em dados para o restante do negócio sobre novas oportunidades e tendências, para que as empresas possam tomar decisões fundamentas em números”.

6. Dicas para aproveitar ao máximo a Indústria 4.0

Em um post no blog, o Chefe de Tecnologia da PwC Chris Curran disse que você não pode deixar a tecnologia emergente ao acaso, mas que isso foi uma armadilha para muitas empresas devido a restrições de recursos, prioridades competitivas e diferentes visões de como a tecnologia pode levantar um negócio. Ele ofereceu cinco práticas que um líder empresarial poderia usar para começar a se preparar para a Revolução Industrial.

  1. Repense a maneira como você faz experiências. Certifique-se de avaliar a tecnologia sob um olhar de negócio. Isso permitirá que você experimente tecnologias que possam diferenciar a sua empresa, com o objetivo de expandir recursos para que você possa fazer coisas que os seus concorrentes não conseguirão fazer.
  2. Envolva-se com o seu ecossistema tecnológico emergente. Identifique as organizações e startups que estão desenvolvendo ou pesquisando tecnologias relevantes para o seu setor, para os seus produtos, para os seus clientes ou para os seus mercados. Estabeleça relações de trabalho onde for adequado e fique de olho em todas elas. Por exemplo, você pode pensar em firmar parcerias com uma universidade ou outra instituição educacional adequada.
  3. Construa o seu próprio laboratório de aprendizado. Se a sua empresa está chegando a um certo tamanho, certamente você deve começar a pensar em ter uma equipe de inovação para obter valor de negócio a partir das ideias – talvez através da criação de demonstrações e protótipos. Você pode compartilhar o que cria internamente ou com parceiros e clientes selecionados.
  4. Desenvolva a mentalidade de um criador. Curram disse que as empresas devem desenvolver um raciocínio que lhes permita estabelecer conexões através da tecnologia e resolver problemas no mundo real. Ele diz que os “fabricantes” estão dispostos a testar, fracassar, sujar as mãos e compartilhar ou desenvolver as descobertas de outras pessoas.
  5. Estabeleça um processo para escalar a tecnologia emergente. Curran acredita que os processos de trabalho empresariais regulares, como a construção de um case de sucesso ou o planejamento de projetos com os benefícios financeiros em mente, não funcionarão para a inovação orientada pela tecnologia. Ele sugere processos com estágios mais curtos que incluam ideias, desenvolvimento de protótipos, testes de mercado e dimensionamento.

Kieron McCann, Diretor de Estratégia e Marketing na Cognifide acrescenta: “O maior desafio para os fabricantes tradicionais é mudar a sua cultura para se adaptar à nova realidade da Indústria 4.0. Em suma, tudo se resume a agilidade. É comum que organizações lideradas pela engenharia queiram inventar tudo internamente. Isso pode levar a longos prazos de entrega e a ciclos de planejamento inflexíveis. Essa cultura pode permear toda a organização, muitas vezes orientada para ciclos de produção e lançamento de produtos.

“A nova realidade é que as empresas precisam ter clareza sobre onde elas adicionam um valor genuíno, em todos os lugares em que precisam pensar sobre como podem integrar rapidamente outros recursos e, em seguida, repetir. Tudo envolverá software e esse software será alimentado por dados que, por sua vez, serão cada vez mais integrados a um ecossistema mais amplo. O trabalho ágil, a iteração e a melhoria contínua vão se tornar a maneira mais eficaz de trabalhar”, completa.

É importante lembrar que a alteração causada pela Indústria 4.0 não será “nova” ou “de ponta” por muito tempo. Como as ideias podem se espalhar em uma velocidade muito rápida, em breve veremos várias empresas criando suas próprias versões dos mesmos produtos e soluções comerciais. Simplesmente jogar com a inovação não será suficiente para separar a sua empresa da concorrência – sua organização precisa de bom planejamento e estratégia séria para evitar ficar para trás.

Texto redigido originalmente por Asavin Wattanajantra para o blog Sage Advice

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