Por que todos os líderes da indústria automotiva precisam aderir à revolução dos carros movidos à bateria

Os veículos elétricos já são uma realidade e todo um novo ecossistema em torno deles possibilitará bons ganhos àqueles que inovarem e forem vanguardistas.

A indústria automobilística é importante para todos nós. É um setor que apresenta um impacto direto e poderoso na vida de muitas pessoas – veículos de todos os formatos e tamanhos estão em todos os lugares que olhamos, com os carros fazendo parte de nossa cultura há mais de cem anos.

A popularidade de programas como Top Gear, The Grand Tour e até mesmo da série de filmes Velozes e Furiosos é um verdadeiro testamento deste fato. Atualmente, como acontece em muitas indústrias nas quais a tecnologia exerce um óbvio impacto discernível, a indústria automobilística está passando por uma grande transformação.

Uma área diz respeito ao crescimento do número de veículos elétricos, com as regulamentações dos governos cada vez mais rigorosas , a dependência de combustíveis fósseis caros e inseguros, que um dia vão acabar, e a ameaça do aquecimento global, os veículos movidos a eletricidade se tornaram uma alternativa, substituindo aqueles movidos a gasolina, os beberrões de combustível que conhecemos e adoramos.

O Morgan Stanley acredita que o futuro de veículos movidos a eletricidade está próximo e que até 2050 poderemos ver um bilhão de veículos elétricos movidos a bateria (VEB) nas ruas em todo o mundo (90% de todos os veículos vendidos). Tudo isso estimulado pela legislação, que poderia aumentar drasticamente o custo dos motores de combustão interna.

Embora os carros elétricos apresentem incertezas e desvantagens, o fato de que novos concorrentes como Tesla e Dyson entraram no mercado, enquanto que os gigantes do setor automotivo como a Toyota e a Nissan estão fazendo enormes investimentos em tecnologia, mostra que os fabricantes já estão adiantados em termos de mudança.

A Volkswagen, outra empresa automotiva internacional substancial, também recentemente escolheu parceiros para fornecer células de bateria e tecnologias correlatas no valor de cerca de US$ 25 bilhões. O seu escândalo de emissões “Dieselgate”, dois anos e meio atrás, provocou uma mudança de estratégia.

Inovando em tecnologia de veículos elétricos

O tecnólogo entusiasmado e inovador Stephen Irish entende bem o impacto que os veículos elétricos têm no negócio de fabricação de automóveis, tendo escrito a sua tese de graduação sobre tecnologia de veículos elétricos e híbridos mais de duas décadas atrás.

Atualmente, Stephen é o cofundador e diretor gerente da Hyperdrive Innovation, um fornecedor de tecnologia de baterias de Íons de Lítio para empresas que trabalham com veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. As baterias de Íons de Lítio apresentam a mesma tecnologia que alimenta smartphones, tablets e computadores portáteis, sendo muito mais eficientes do que motores de combustão interna.

“Me formei em engenharia mecânica”, diz Stephen. “Trabalhei na indústria automobilística durante 20 anos, oferecendo e produzindo novas tecnologia com empresas como a Jaguar e Land Rover, com um enfoque especial na cadeia de fornecimento.

Tínhamos falado em fundar nossa própria empresa há algum tempo, e a oportunidade de criar uma empresa com enfoque em tecnologias de baterias há cerca de seis anos atrás, com investimento privado. Crescemos muito rapidamente e empregávamos cerca de 45 pessoas – ganhamos 20 vezes a receita que tivemos no primeiro ano”, explica.

Stephen acredita que a tecnologia sobre VEB está amadurecendo, com referências de preços que são aceitáveis para o mercado automotivo e os consumidores. No entanto, são as regulamentações globais que estão impelindo cada vez mais adoção de uma alternativa de energia para substituir os motores de combustão interna.

“As regulamentações estão gerando uma necessidade de que as empresas melhorem as emissões de carbono globais, a eficiência e o consumo de energia não renovável. E há enormes pressões sociais sobre o que pode acarretar para a saúde das pessoas. Há uma pressão enorme para mudar”, completa.

Stephen tem estado envolvido com a indústria automobilística por muito tempo e naturalmente desenvolveu um amor e entusiasmo por ela. Porém, como inovador e tecnólogo, ele há muito tempo percebeu que o setor automotivo não gosta de mudar a menos que precise fazê-lo. A indústria é relutante em correr riscos. O tempo de recarga e a eficiência da bateria são apresentados como dois problemas relacionados à tecnologia de veículos elétricos.

No entanto, a pesquisa e o desenvolvimento realizados por empresas com visão de futuro e pelos atores estabelecidos estão certamente resolvendo os problemas e eliminando as desculpas.

“Muito se fala sobre empresas transformadoras como a Tesla e certamente estão transformando a indústria,”, Irish afirma. “Mas o principal motivo da mudança é que a tecnologia está ficando melhor. A inovação que está sendo adotada pelas grandes empresas precisa da mistura certa de ingredientes. As baterias, por exemplo, custam menos que antes e estão melhorando em termos de desempenho”, defende.

Os pacotes de baterias de íons de lítio para carros elétricos caíram de preço em cerca de 80% desde 2010. De acordo com a McKinsey, e trabalho está sendo realizado para otimizar a tecnologia atual e construir instalações de produção em grande escala, como a fábrica gigante da Tesla, que poderiam reduzir drasticamente os custos.

A pesquisa de Jessika Trancik, uma professora de estudos de energia no MIT, afirma que alguns dos veículos elétricos mais baratos, como o Nissan Leaf, já conseguem satisfazer 90% das necessidades de dirigir das pessoas.

Fabricação de veículos elétricos: a vantagem da Nissan

Stephen Irish tem uma boa percepção do que pensam os executivos do setor automotivo em relação aos veículos elétricos devido à relação da Hyperdrive Innovation com a Nissan. A multinacional japonesa é a maior fabricante de veículos elétricos do mundo.

Em dezembro de 2016, a Nissan tinha vendido mais de 275 mil veículos totalmente elétricos, com o carro mais vendido totalmente elétrico sendo o Nissan Leaf, com 240 mil unidades vendidas em todo o mundo desde setembro de 2016.

No seu cargo, Stephen fala com vários diretores-executivos do setor automotivo e entende que existe uma conscientização de que a revolução dos veículos elétricos está acontecendo atualmente, ao invés de ser algo que “talvez” aconteça no futuro. Por exemplo, alguns estados como a Califórnia planejam proibir carros a gasolina nas ruas até 2030, o que parece uma medida extrema agora, mas poderia ser um passo totalmente sensato se a tecnologia e a inovação continuarem avançando a galope.

“Alguns anos atrás ninguém estava trabalhando com veículos elétricos – agora todos estão. Aconselho a qualquer pessoa que não esteja encarando este fato de forma estratégica que o faça muito rapidamente, porque está acontecendo, e a legislação está fazendo com que todos sigam este caminho. Os consumidores querem. Mas você deve entender qual é a forma certa de resolver o problema”, afirma.

“O que as empresas que estão um pouco atrasadas precisam fazer é formar parcerias, trabalhar com empresas que as ajudem e formular estratégias. É importante ter essas conversas no início. Constatamos verdadeiramente que podemos ajudar e agregar valor às empresas nos envolvendo a nível estratégico.

Trabalhamos com uma empresa recentemente e oferecemos a ela um sistema de bateria padrão que poderia ser usado em vários produtos diferentes. Isso pode proporcionar a eles uma enorme vantagem, visto que podem comprar o mesmo componente e ter a economia de compra em quantidade, portanto, logística melhorou muito.

Também trabalhamos na construção de projetos totalmente sob medida para empresas que nos contrataram para prestarmos assistência. É muito importante se envolver em uma fase bem inicial, pois pode ajudá-los a evoluir a sua especificação, entender o que é viável e não viável, e ter certeza que eles recebam o melhor valor possível do produto durante a sua vida”, explica.

Os fornecedores automotivos podem se beneficiar do investimento internacional formando parcerias com gigantes globais como a Nissan, seja fornecendo-lhes um produto que pode ser vendido a nível internacional ou com o fornecimento de estoque que eles possam vender a seus clientes.

Para a Hyperdrive, o modelo escolhido é o último – a Nissan fornece à empresa células de bateria que a Hyperdrive projeta num pacote de baterias, incluindo o seu sistema eletrônico e de gestão da bateria que é a sua propriedade intelectual. Esta é então vendida aos clientes, como os fabricantes de veículos automotivos e empresas de armazenamento de bateria.

“Com os veículos elétricos, precisa-se de uma cadeia de fornecimento eficiente e efetiva, e o conseguimos trabalhando com a Nissan usando as suas células de bateria”, diz Stephen. “Os executivos do setor automotivo certamente estão pensando na tecnologia de veículos elétricos, na sua maturidade e no preço. É preciso ter empresas em toda a cadeia de fornecimento para haver mudança e inovação no mercado”, completa.

A tecnologia de veículos elétricos precisa funcionar num produto e em termos de processo, e o Reino Unido e os EUA têm reputação internacional de entender novas formas de transformar a inovação em avanços que podem funcionar com sucesso nos negócios.

Stephen ressalta o investimento feito na fábrica da Nissan em Sunderland: “Atualmente, a fábrica tem um nível muito elevado de automatização, com a tecnologia de processamento mais avançada. A forma de categorizar e armazenar as células de bateria exige um processo que precisa de muita confiabilidade. Você está falando de um produto premium que tem um desempenho muito elevado”, conclui.

Os gigantes globais como a Nissan têm mais espaço para influenciar a cadeia de fornecimento, uma vez que estão no topo. Por isso, a PwC diz que, ao invés disso, os fornecedores automotivos devem voltar-se para duas áreas específicas. Eles devem se posicionar na parte lucrativa do ecossistema dos veículos.

Se o produto deles for diferenciado ou for uma mercadoria, eles precisam ter as melhores capacidades organizacionais e operacionais para o nicho do setor automotivo. Eles precisam otimizar seu modelo comercial. Para um fornecedor de mercadorias, isso significa um grande enfoque na minimização dos custos.

Para as empresas que puderem diferenciar seus produtos ou suas operações (através de inovação, patentes, presença de fabricação vantajosa ou logística, por exemplo), devem melhorar os seus ativos atualizando-os para desfrutar os benefícios do preço premium.

Como fornecedora, a Hyperdrive reconhece onde está no mundo automotivo e está navegando de forma eficaz com um produto diferenciado muito procurado atualmente.

“Investimos um enorme montante no desenvolvimento da nossa tecnologia de bateria nas nossas próprias instalações. Atualmente, temos uma fábrica de montagem – no passado, estávamos montando os nossos pacotes de baterias com volume baixo como protótipo, mas agora podemos fabricar milhares de pacotes em nossa fábrica.

Para o nosso produto, usamos células de bateria de vários fornecedores em todo o mundo. Trabalhamos com os clientes para encontrar a melhor solução, e usar a nossa tecnologia para ajudar os clientes chegarem ao mercado rapidamente. O nosso produto é diferenciado, não é uma mercadoria – agregamos valor desenvolvendo e integrando o produto, e trabalhando com o cliente para ajudá-lo a ter sucesso. O que obviamente nos ajuda a ter sucesso!”, Stephen diz.

“Temos planos de expansão. Em alguns casos, com a nossa tecnologia, concedemos licenças para as pessoas em suas fábricas. Isto nos permite alcançar novos mercados emergentes, ampliar rapidamente e chegar a lugares nos quais o volume aumenta. Mas vamos continuar a investir nas nossas instalações de fabricação, de modo a poder produzir mais produtos aqui.

Temos orgulho do que estamos fazendo. O mundo está mudando quanto ao modo como a eletricidade está sendo gerada, distribuída e consumida. Vemos a nós próprios como uma parte fundamental desse processo. É um período de transformação da indústria e é muito emocionante. Oferece excelentes novas oportunidades para serem aproveitadas”, conclui.

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